As Ilhas Galápagos são um verdadeiro paraíso para os amantes dos fenómenos da natureza. Este pequeno arquipélago, que pertencente ao Ecuador, está situado a mais de 1000 quilómetros no interior do oceano Pacífico, é o lugar que impressionou Charles Darwin e séculos depois continua a impressionar quem visita este paraíso.

Posso até parecer controverso, mas a verdade é que apesar de ter gostado do destino, não me fascinou. Dizem tratar-se da maior concentração de espécies endémicas do mundo, tanto na terra como no mar, e supostamente trata-se de um destino imprescindível para os amantes do mergulho.
Longe de ser o que eu imaginava quer na terra quer no mar. Certo é que parece que todos os animais convivem irmãmente e sem medos dos turistas. Iguanas, leões-marinhos, manta-raias, tartarugas gigantes, e todas as aves de toda a espécie parecem todos ignorar a presença humana.

A convite da KLEIN Tours visitei Galápagos naquela a bordo de um cruzeiro, o Navio Galápagos Legend com o meu colega de expedição, o Bruno Vinagre e a Jessica de Lá Cruz, uma colega de uma agência do México que se juntou a nós. Estes cruzeiros podem durar uma ou duas semanas e com preços entre os 2.000 e os 30.000€ por pessoa, dependendo do navio pois há diferentes tipos de embarcações mais ou menos luxuosas. No entanto descobrir Galápagos à boa maneira de Darwin é bem possível e até acaba por ser acessível.

A primeira paragem foi a pequena ilha de Baltra. Uma informação útil é que no aeroporto, mesmo que convidado há que pagar uma taxa de entrada no parque natural de 100 USD, que é aplicada a turistas estrangeiros maiores de 12 anos.

No aeroporto fomos recebidos pelos guias naturalistas que nos iriam acompanhar durante toda a viagem. Em dez minutos de autocarro estávamos no porto de embarque e em pequenas lanchas fomos transportados para o navio, onde fomos recebidos pelo capitão. No total eramos 45 passageiros e fomos divididos em 3 grupos. Por ironia a nossa guia chamava-se Fátima, em honra a Nossa Senhora de Fátima e dia 13 fizemos-lhe a devida homenagem.

Depois de almoço saímos por grupos para a primeira exploração em terra e levaram-nos para Islote Mosquera. As expectativas eram altas, mas caíram um pouco por terra quando durante quase duas horas só vimos meia dúzia de leões-marinhos, duas iguanas, caranguejos e uma outra ave. Valeu a boa disposição de um dos leões-marinhos, que decidiu pousar para a foto e nos salvou a tarde com uma boa imagem para mais tarde recordar.
O melhor do dia ainda assim foi o fantástico por do sol ao som de Carminho já que o Bruno tomou conta da cabine do DJ, que não era mais que um cabo auxiliar ligado a qualquer iPhone.O jantar foi bem servido e o entusiasta Briefing dos guias ajudou a passar o serão.

No dia seguinte a primeira paragem foi em Plaza Sur onde a atracção foram as iguanas amarelas, vários leões-marinhos e os primeiros piqueiros de patas azuis.
Após o almoço fomos fazer snorkeling e chegou a segunda desilusão. Alguns peixes coloridos, duas tartarugas e uma manta-raia. Fundo do mar de areia e rochas sem qualquer vestígio de vida. Parecia o deserto do Saara.

Isabela é a maior ilha de todo o arquipélago e uma das três que são habitadas. Está conectada por lanchas que custam cerca de 30 USD para fazer a travessia entre Santa Cruz e São Cristóvão. Apenas a avistamos de longe porque estando no cruzeiro não nos permitiam fazer nada extra por questões de segurança e agenda. Certo que gostaríamos de ter ido ver os pinguins de Darwin, na baía de Puerto Villamil. Ficamo-nos pelas descrições dos guias que também nos disseram ser o melhor lugar para fazer snorkeling e observar a fauna marinha ali existente há que ir até á baía de Concha Perla. Segundo a Fátima é espectáculo a não perder. Também me disse que vale a pena também visitar as crateras dos vulcões no interior da ilha, sendo que o mais acessível é mesmo o Puerto Villamil. Mais afastado fica o Serra Negra com 1490 metros e que o torna o mais alto da ilha.

A noite a bordo foi complicada. O mar revoltou-se contra nós e o navio parecia uma pequena embarcação a balançar de onda em onda. Valeram-me dois comprimidos para o enjoo que me deram tanto sono que não senti mais o barco e dormi que nem um anjo.

Acordamos em São Cristóvão. Esta ilha é conhecida pela sua grande colónia de lobos-marinhos e tartarugas marinhas. Ter a licença PADI para mergulhar era algo que eu deveria ter, para assim conseguir mergulhar livremente nesta ilha. Mas fazer snorkeling no meio de uma colónia de leões-marinhos foi sem dúvida o ponto alto desta viagem a Galápagos.

Os leões-marinhos pareciam ter ensaiado coreografias para se exibirem perante os humanos que ali estávamos no meio deles. Um invulgar cenário com peixes de todas as cores, tintureiras, manta-raias e uma grande expectativa para encontrar os famosos tubarões martelo. Apareceu um junto ao barco, onde na noite anterior também dois tubarões brancos tinham dado o ar da sua graça. Os pontos de maior interesse desta ilha estão mesmo no mar. Aqui na ilha Lobos pudemos mergulhar com estas dezenas de lobos-marinhos e na superfície encontramos milhares de aves misturadas com as colónias de Piqueiros de patas azuis.

Saímos de Punta Pitt e seguimos já com o mar bem calmo para Cerro Brujo, uma praia ao bom estilo caribenho com areias brancas e águas cristalinas, mas praticamente sem vida animal.

Apenas por lá se encontrava um lobo-marinho que rapidamente se foi embora. Voltamos ao navio para navegar cerca de uma hora até Puerto Baquerizo Moreno.
Na manhã seguinte desembarcamos e fomos de autocarro até ao Cerco de Crianza de Tortugas terrestres Jacinto Gardillo. Aqui tivemos oportunidade de conhecer as famosas tartarugas dos Galapagos, que estavam em cativeiro. Eram cerca de uma dezena de tartarugas gigantes à espera dos turistas. Assim terminou a nossa aventura pelos Galápagos.

Não posso dizer que adorei. Acho que não voltava, mas não me arrependo de ter ido até aquele fim do mundo. Contudo continuo a achar que existe um marketing muito bem feito naquela região.

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Viagem realizada de 11 a 14 de maio.